11.25.2012

t & a | é lisboa em arquivo | ella

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|LISBOA DE VIDA|

'Mas o meu amor sempre será a luz de Lisboa, o calor de Lisboa, as aberturas e saídas que Lisboa me dá, onde lá ficam quem sempre Amo. Onde a amplitude do meu eu é maior. Um grande amor trás sempre uma ilusão maior, desgostos maiores. Por isso volto a norte onde entre o amar e o adorar, fico eu e sempre na certeza que poderei voltar para os braços de quem não só me adora como também me ama. É como em tudo na vida não é?'

São bocados de mim. Eu e ela somos uma.
Estando longe cada vez sei mais mais que lhe pertenço.
As letras são minhas. As fotos não, são de todos que a espreitam.

ELLA





11.18.2012

t & f | inspira-te 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª e sab |




|TENDER FASHION |

ANDA DAI INSPIRA-TE TAMBÉM
ONDE QUISERES
MAS INSPIRA-TE 
O INVERNO SERVE PARA ISSO!







sab

e para a semana também :>


ella

t & m | lisa ekdahl | one life | ella



| TENDER MUSIC |
PORQUE PRECISAMOS
‎"Não nos vemos se não nos saímos de nós"  

ella

11.17.2012

t & a | bocados de pedaços de porto | ella

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O meu Porto. Temporário. Altivo. Postal. Frio que me levaste para longe de quem amo.
Que me sorris ao alcances da minha vida. As vezes não sei se te amo ou só te detesto. Qual dos dois não sei. Sei que terei mortes de saudades como aquele que vive mas que nunca se sente em casa. Aquela onde se encontra o conforto. Nem que seja da solidão.










ella, em punho, de máquina a disparar ao olhar tudo e todos

t & t | araparigadamaquinadefilmar |



|TENDER TALK|

PORQUE HOJE SABEREMOS ONDE ESTÁ ELENA..
A MINHA TENDÊNCIA SERÁ SEMPRE PARA DIZER QUE ESTARÁ NO NOSSO IMAGINÁRIO

onde a criamos e a onde a quisermos levar. porque aceitem.  este filme comunica que há uma maneira diferente de pensar. Em todos nós.


@caminhos do cinema português | coimbra                 
ELLA

t & w | manual do erro com que já não se consegue viver | ella


| TENDER WONDERLAND| 
by
Ella

Foi como desbloquear. Foi o derramar de uma vida. Saber que existe uma dor maior que que a minha alma. Foi entender a dor. Comer a dor cravejar a dor enterra-la e arranca-la ao momento foi servir e come-la. Custa-me a sinceridade perdida de conhecer que há erros com que não consigo viver. Venha os céus e os dias passados os meus diálogos a perseguição da teoria da felicidade que há um erro esse erro de errar um mundo, que jamais vou conseguir viver. Muda-se a vida e a vida vem connosco. Vestimo-la com uma cidade diferente, interesses diferentes e na merda da bagagem esquecemos nos de sincenrizar o erro. Esquecemo-lo dizemo-lo enterrado e ele vai e desenterra-nos. Mortos e monstros. Pequenos senhores, de coração mentindo aos dias que passam. 

E o que ninguém pergunta é: e o que se faz no dia quando se acorda tarde demais?
Quando a dor está tão viva, quando não existimos, quando e como pensamos ser?

Nesse dia vês tudo. Vês onde estás e como estás. Nesse dia não existem mais noites acompanhadas no sozinho, nem triste dia em claro. Já não se finge. Já não se sofre. Vivemos com ela. A dor e o erro de não aceitar. E a partir desse dia só seremos quem somos. Desprovidos da alma grande ao sol e o perdão nas mãos. Escrevem-se palavras sinceras e morremos na febre de estarmos como não queremos.
Nesse dia não se renasce. Nesse dia acordasse. Deitasse com a força de quem carrega a certeza de quem já sabe para o que serve uma vida.
Devemos cumprimentar quem somos. Mostrar a casa onde vivemos e apresentar os nossos interesses. Devemos preparar a humildade para ser madastra de quem sempre nos vai  lembrar à dor a dor que ela tem.

Devemos viver o mundo como o dia da primeira vez. Não devemos ser maus. Egoístas. Nem viver de certezas. Orgulhos. Que nem temos. Não somos caprichos, nem razões. Devemos ser nós. E só nós isso basta ao mundo. A Deus e a ti. Ser bons, saber que somos somente bons. Aquele que sabe logo que está a fazer mal e só deve saber uma coisa: que terá uma consequência. Tratar bem e não criticar o tudo e o nada. É naif. E assim devemos nos manter. Nesse dia. Sabemos o que nos centra. O que enche. Preenche. Vives bem. Fazes bem e passas o resto dos dias com cara de quem faz bem. Nesse dia é assim. Sempre. Para. Para sempre.

No dia que cai em nós uma epifania sabemos ainda que o mundo não mudou. Que fomos nós e só nós. Mas esse é o dia que vais mudar o mundo. O mundo não vai girar diferente. O que vai girar é a maneira do que levamos e trazemos para casa. Ninguém aceita que mudaste, porque nem a ti disseste que querias mudar. Só mudaste porque já não sabias viver mais nessa dor. Estavas morto. Mentiroso. Bate e não sentes. Sofria no vão. E é só nesse dia onde já só carregavas a vida que é percebes o que mudou. E ninguém aceita. Ou acredita. Terás que sorrir e acenar para trás. Pois não foi hoje. Não. Foi há uma vida que te estranhavas.
E hoje é o dia que eu disse não conseguia viver mais com os meus erros. Não os saudáveis. Esses esforçaram-se para me fazerem chegar até ao dia de hoje. O Erro. O Erro da 'descoragem' de dizer que errei. Esse sim.

O erro do pó que me enchi. O pó amorfo das teoria que não eram minhas. O pó que me deu anos de vida triste. O cinza-pó que não me deu alento na solidão. O que me amargou. O que partiu num cacilheiro.
Porque a queixa de muitas vidas é que se desencontra do amor. Mesmo assim a imaturidade de umas décadas, mesmo assim foi-me recompensada com um grande amor, Amor que eu isolei, maltratei, rebentei porque achava que era melhor do que esse amor. Se pudesse hoje não o faria. Alguém que ama como eu amei e nega e nega porque se achava maior que Deus para escolher, só uma coisa. Não percebe a escolha que fez. Só neste dia.

Sim não estaria sozinha
Errada
Sofrida
Despida
Depressiva
Deprimida
Regressiva

Não foram escolhas. Rastos de pó das escolhas de quem já não sou. Vivo hoje nas minhas gordas teorias e no erro que comi. Os anos que não escrevi. Os hologramas de gente que conheci mas também não as mais encontrei. E vive-se assim. Neste dia que é tarde demais para voltar a amar. Mas é neste dia que acredito até que enfim, já acredito nos meus erros e acredito acima do acreditar que com eles jamais consigo viver. Com eles sei que não os vou mais cometer. Quando mudamos, voltamos a um estado: ao que éramos antes de errar e nesse dia então o nosso mundo acaba de mudar. Porque enquanto formos só o nosso eu a falar só existe uma coisa: acreditar nele. nós.

Dou-me uma segunda chance. E sem grande mundo atrás vou tentar encontrar o que tanto perdi.
Vai ser uma vida!



O amor cura. O próprio ainda mais.

Ella

11.12.2012

t & w | la casa de las puertas verdes | jo


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8 nov 12 Barcelona

A casa das portas verdes. As chaves num envelope amarelo, revestido com bolhinhas, deixado no supermercado à frente.
O chão com aquele som delicioso de mosaico solto, com os padrões do Eixample,
Os corações de lata na parede.
Adormecer por meia-hora e acordar como se tivesse passado um dia.
O chuveiro com um fio de água quente, como um cabelo a dançar nas costas.
A janela vedada com a fita-cola do Primavera Sound de 08.
As bandeiras catalãs penduradas em todas as varandas.
O vermut do Armando, o pão com tomate e o jamon cortado tão fininho.
Voltar a casa. Aquele abraço, e a conversa que retoma tranquilamente o ontem, como se não tivesse passado mais de um ano.
Os cacahuetes japoneses, de casca crocante, as lascas de parmesão, o vinho crianza. 
Íamos cosendo a conversa como quem prova e desfruta.

9 nov 12

Acordar com os bilhetinhos igualmente verdes que incitam a desfrutar de Barcelona.
Barceloneta, depois do pequeno-almoço mais doce do mundo na marquise cheia de plantas.
O cava rosado semi sec e a sandes de lomo, pimiento y queso; as horas à beira mar, o café à frente e depois a clara.
Voltar ao metro, a casa, a outro bar,
Las mejores alitas de pollo de Barcelona, y el miedo de la resaca.
- Antes no existia.
- No, antes de la crisis no existia resaca.
O sono já passeia por todos mas insistimos.
E a música e os encontros compensaram.




10 nov 12

Dormir outra vez até acordar, sem pressas, a luz filtrada pelo cortinado na porta verde da marquise. 
Vislumbre da Sagrada Família e do Hospital Sant Pau; vermut em Gracia, numa bodega cheia de quinquilharia nas paredes.
Passeio tranquilo até ao Parc Guell, a cidade estendida como lençol ao sol lá em baixo, esticadinha, sem grandes pregas nem colinas, como cama acabada de fazer.
Chá na praça Rius i Taulet, e jam session dedilhada em piano, contrabaixo e bateria al Taller de Musics.

- Esta se llama Barcelona... - A música.

Tinha alguma coisa daquele quadriculado.

- sabes que me faz lembrar aqueles momentos antes de ir dormir.
- o Jazz?
- Sim, quando tens o pensamento livre, sem ordem..


11 nov 12

Acordar com a sensação que é sábado, mas já e domingo. Com a certeza de que estamos em casa, mas aperceber-me de que não vivemos cá.
- Quedénse!
Levantar, duchar e despachar, como se tivéssemos que preparar um grande almoço de família.
E era.
Vermut num garrafãozito de plástico, nos copos com laranja gelo e azeitonas, pão com tomate (esfregado com alho antes) e batatas fritas.
Tirar a pele as beringelas e cortá-las finas finas;
Fritar!
Molhinho de tomate com manjericão.
Parmigiano ralado no momento e mozzarellas a desfazerem-se em leite, no prato fundo, às fatias.
Tudo às camadas, a gratinar no forno.
- Quemadas??
- Bueno, estractos... Layers!
- Ah, capas!
Capas de amor, acabado de acordar; o aperitivo como pequeno-almoço e os abraços como manjar.




_

Agora toda aquela cozinha nos meus cabelos, e na mala um present for tomorrow.




Todos somos mortales hasta el primer beso y la segunda copa de vino.
Eduardo Galeano          

                                                                                                                                                               JO

11.05.2012

t & a | mediterràniament | jo


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14 agos 12 Campanhã

Sento-me 2 minutos antes do comboio partir.
Penso nos pendentes e relatórios e faturas que deixei no trabalho.
E clicko em delete.
Borrar.
Cancel.lat.
Ara nomes parlo català.



15 agos 12 Mallorca (Sóller)

Quem chega a Sóller pensa que está num vale entre montanhas de um país alto e longínquo.
A igreja é delicada, e de uma pedra demasiado macia e rosada para só contar com estas altitudes.
A verdade é que um ou dois quilómetros à frente encontra o Port de Sóller, a água cristalina, e os montes vão-se baixando como um leão adormecido sobre o mar.



16 agos 12 Mallorca (Sa Calobra)

Quem atravessa a Serra Tramuntana quase se esquece do litoral ao ver as placas de atenção ao gelo e cuidado com a neve.

- Como nove níveis de Dante que levam ao Paraíso, a estrada vai-nos provando e tentando; nós vamo-la penteando e seduzindo, piano piano. Mediterraneamente. -

Lá em cima uma esfera enorme marca os 1445m, mas lá em baixo o mar espera.
Tranquilo e turquesa.
Quiçá como abriu passagem entre as 2 paredes de Torrent de Pareis, onde ver um hobbit num barquinho pareceria normal.

 


17 agos 12 Mallorca (Es Trenc)

Deixámos a Suíça e seguimos para Sul, na direção de África.
Deixámos as montanhas da Serra Tramuntana, as estradas encaracoladas sobre si mesmas e fomos pelas retas que cortam a planície vermelha de olivais do Sul.

Es Trenc.

As Caraíbas.
Pero en la vez de las palmeras,  están los pinos.

Não era exagero.
A água pedia para ficar, para flutuar, para adormecer nela.

Num acesso de mistura de estados.

 


17 agos 12 Mallorca (Palma)

O viajante que chega a Palma fica confuso entre Barcelona e a Andaluzia.
A catedral impõe-se maternal e flamejante, como o gótico espanhol que a desenha, a monumentalidade em redor situa-o na capital catalã, mas o núcleo enriçado ainda é árabe, e há ruinhas de Alfama por onde o calor passeia, pelos degraus gastos de pedra calcária e rosada.



19 agos 12 Porto

Chegar ao Porto.
Seguir o Douro.
Perder o Douro.
Seguir o pôr-do-sol, que já foi engolido pelo mar.
Reencontrar o Douro, já largo e lento, cruzado pelas pontes, cheias de luzinhas vagarosas.

O senhor da frente descreve a paisagem à menina:
- A torre da RTP, os Aliados, o palácio de Cristal...

Misturo o que vejo, o que oiço e o que penso.

O Porto de Leixões. A Petrogal...
- Nunca fui à Petrogal, papá...

É dos sítios mais lindos do Porto.
Tal como o gasómetro de Roma.

Chegámos.





19 agos 12 Porto

Ainda tenho no porta-moedas um pacotinho de açúcar dobrado, aberto por engano.
- Um dá para os dois, Joana.
È vero.
Tenho Doors nos ouvidos desde Palma.
Tomo um duche, ganho a pele do Porto.
Nos cabelos ainda fica a de Mallorca.
Ponho as férias na máquina de lavar.
Coço as picadas de melgas, deixadas como souvenirs na pele.
Visto o pijama novo que o calor da ilha não deixou estrear.
Bona nit.                                                                                                                                                  Jo

11.01.2012

t & a | constantinopla | jo


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18 set 12 Istambul

Istiklal Caddesi;
Londres em Istambul.
Ou Sta Catarina.
Ou a Baixa de Lisboa.
Ou Porta del Ángel.

Ao chegar, a decadência.
Casas de traça antiga abandonadas, vazias e escuras.
Ruas por cima e por baixo.
A passagem do Corno de Ouro para Beyoglu.
Tantos navios e petroleiros.
Estrategicamente neste mar.
Os minaretes e cúpulas entre a especulação.
O canto do muazim entre as buzinas frenéticas.
Os táxis amarelos.
Parados no trânsito, debaixo de um viaduto.
O espaço repleto de bicicletas.
Arrancamos.
Chuvinha que molha tolos pegajosa no corpo.
Mercado do Peixe para jantar.
Uma viagem de Chihiro pelas ruas de Sahne Pok e Nevizade.
Uma espetada bem temperada de peixe fresco e uns pimentos tão picantes que tornaram a água doce.
Cheiro de castanhas assadas na rua.
Maçarocas de milho.
Mexilhões cozidos só com limão.
Carrinhos de fruta fresca.
E uma bandeira magnética na praça de Taksim.






18 set 12 

A lua recortada como na bandeira.
- Sabes por que é que a bandeira é assim?
- Hmmm...
- Porque se diz que numa batalha[1] qualquer houve tanto sangue que se via o reflexo da lua.
- E a estrela? Seria Vénus que estava por perto?
- Seria Vénus que estava por perto.

Um gato no colo depois de cruzar tantas ruas.
Alfama, Raval, Quartieri Spagnoli.
Chegamos ao hotel.
A seguir chegou a multidão, depois do jogo do Galatasaray.
Estavam todos cá dentro.





23 set 12

Istambul é densa como o gelado; servido com uma lâmina compridas, as fatias desfeitas sobre um cone, como as velhas casa de madeira.[2]
Pegajoso, como o ar que passeia pela cidade e traz cheirinho do peixe do Bósforo grelhado e metido no pão, maçarocas de milho e castanhas assadas.
As mesquitas parecem indiferentes; suspensas, concentram-se na etereidade.
Mais acima ficam os terraços, que nos roubam do corre-corre e põem a cidade em standby.
Entre os minaretes as bandeiras gigantes.
Majestosas, magnéticas.
Esvoaçam em slowmotion.
E lá ao fundo a lua recortada como no tecido.






23 set 12

Os gatos de Istambul não têm fome.
Passeiam-se felpudos e dengosos, ansiosos por mimo.
As mulheres alternam o Niqab completo preto, com o Hidjab na cabeça ou simplesmente nada...
Muitas vezes bem maquilhadas, com óculos, sapatos, carteiras de marca e telemóveis de última geração.
Os homens olham-me surpreendidos quando vou contra eles sem querer.
Evitam sentar-se ao meu lado no metro.
Se sim, sentam-se em metade do banco, para não me tocar.
Habituei-me a ter o olhar alto e perdido; ou baixo e vago, para não os olhar nos olhos.
E também evitar os negociantes.



[1] (batalha de Kosovo em 1448)

[2] Kornak